Empresa quer exportar tecnologia de limpeza de solos

A Go Tratch, empresa brasileira especializada em descontaminação de solos e água subterrânea, quer entrar no mercado do Oriente Médio com tecnologia própria indicada para áreas contaminadas por hidrocarbonetos, ou seja, petróleo, gás e derivados. “O mercado do Oriente Médio é o nosso principal interesse”, disse o sócio controlador da companhia, Celso Magalhães.

Magalhães é geofísico e explica que no método “clássico” de descontaminação é utilizada água oxigenada, que oxida o petróleo, reação que resulta em água e gás carbônico. Segundo ele, porém, este processo dura meses ou até anos, pode espalhar o contaminante por uma área maior, argila encontrada no solo pode impedir a passagem do reagente e há um aumento grande de temperatura.

No caso da tecnologia desenvolvida pela empresa, chamada de Redentis, uma gota do reagente (a água oxigenada ou outro) é dividida em um milhão de gotas menores, chamadas de nanobolhas. Uma carga elétrica causa repulsão e impede que estas partículas voltem a se juntar. De acordo com o empresário, a superfície de contato do conjunto das nanobolhas é maior, o que permite englobar todo o contaminante, mas ao mesmo tempo as partículas individualmente são menores, o que permite a passagem pela argila.

Além disso, é adicionado um catalizador chamado Fentox que impede a elevação da temperatura. Magalhães garante que a reação é concluída em questão de horas e sobra pouco ou nenhum resíduo.

“O Oriente Médio tem duas características fantásticas [para o uso desta tecnologia]: muita contaminação [pela ampla produção petrolífera] e muita areia [em função dos desertos]”, afirmou o empresário. A areia, segundo ele, é um tipo de solo ideal para aplicação dos serviços e produtos da empresa.

Entre os países em que está interessado, Magalhães citou os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Omã. “Queremos alguém para ser nosso sócio lá (na região), alguém que tenha conhecimento do mercado”, destacou. “Eu gostaria de fazer o desenvolvimento da tecnologia lá”, acrescentou.

Esta semana, a empresa apresenta suas experiências no 14º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica (CISBGF), no Rio de Janeiro. O empresário ressalta que os processos existem há cinco anos e que já foram aplicados em cerca de 200 casos no Brasil, mas ele próprio atua há mais de 30 anos no ramo petrolífero.

Fonte: ANBA

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